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Eficácia no ensino e aprendizagem da língua inglesa

 

 

Gilmar de Souza Franco ¹

RESUMO

Mudanças relativas a metodologias de ensino ocorrem constantemente em diferentes campos do conhecimento, inclusive na área de ensino-aprendizagem de língua estrangeira. O presente artigo busca discutir conceitos do planejamento estratégico pessoal em confronto com outro tema relacionado ao ensino-aprendizagem da língua inglesa, visando à eficiência e eficácia do educador e educando na sala de aula. Tendo como objetivo principal um aluno dotado de objetivos, sonhos e aspirações que lhe trará estratégias e incentivos adequados para ascensão profissional, social e educacional. Contudo, não se pretende fazer julgamento sobre os tipos de objetivos que são mais ou menos válidos ao ensino-aprendizagem da língua inglesa, mas o que se pretende é oferecer diretrizes para que cada aluno ou professor possa, ao analisá-las e exercitá-las, talvez ter mais claro as ações que podem levá-lo à satisfação e alcance da eficácia educacional no ensino-aprendizagem da língua inglesa. Para isso, foi feito um levantamento bibliográfico em nível nacional e internacional sobre o que seja um planejamento estratégico pessoal e alguns temas relacionados às melhores condições de aprendizagem de uma língua estrangeira dentro do contexto de sala de aula. Ao final, foi sugerido por meio do artigo o uso eficaz do planejamento estratégico pessoal juntamente com o trabalho de grupo em sala de aula, incentivando a motivação intrínseca, que se define como o grau de esforço do aluno em aprender uma segunda língua como resultado de um interesse gerado por uma atividade específica de aprendizagem.

 

Palavras-chave: Língua Inglesa. Planejamento Estratégico Pessoal. Ascensão

 

 

______________________________________________________________________

¹ Possui graduação em Administração de Empresas pela Universidade Ibirapuera - UNIB - SP; Licenciatura Plena em Matemática pela Universidade Bandeirantes do Estado de São Paulo - UNIBAN; Graduando em Letras pela Universidade Paulista – UNIP – SP; Especialização em Ensino da Língua Inglesa – Faculdade do Noroeste de Minas – FINOM - MG; Especialização em Gestão Estratégica (Marketing, RH e Comunicação) pela Faculdades Doctum - MG; Mestre em Administração pela Faculdade Novos Horizontes – FNH - MG e doutorando em Gestão Empresarial .

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2079541064038553

 

  1. Introdução

 

Educadores que se preocupam com a política e a prática no ensino estão constantemente à procura de diretrizes para atender, de forma mais eficaz, as diversas necessidades dos educandos com uma ampla gama de habilidades e ambições. Nos últimos anos este tem sido agitado pela retórica para uma força de trabalho altamente qualificada, envolvendo a tecnologia e meios estratégicos de ensino-aprendizagem (ZUBOFF, 1988; BROWN E LAUDER, 1992). Tais considerações têm desafiado governos em todo o mundo, e no Brasil, segundo Richter (1998) um dos problemas mais sérios no ensino-aprendizagem está direcionado ao professor inovador, pois enfrenta, muitas vezes, um gestor (diretor) de instituição de ensino que impõe a metodologia tradicional. Neste aspecto, infelizmente, a cultura de ensinar e de aprender ainda define, em muitas situações, um ensino em que os alunos desenvolvem atividades sem qualquer meta ou objetivo sobre o conteúdo disciplinar explanado, prejudicando a qualidade e eficácia do ensino-aprendizagem.

No entanto, o insucesso do ensino de língua estrangeira não tem uma relação negativa somente no modo de agir (metodologia de ensino aplicada) de alguns professores. Pois, no contexto educacional atual, pode-se visualizar que muitos deles são verdadeiros heróis devido às condições de trabalho que lhes são proporcionadas, principalmente, aquelas relacionadas à estrutura física, apoio a formação continuada e incentivo a ascensão profissional. Embora esses sejam problemas enfrentados por alguns professores, o papel do educador é buscar novas maneiras de transformar o “aprender” em algo que realmente tenha sentido para a vida de seus alunos. É objetivando apresentar soluções para alguns desses problemas que este artigo tem como principais objetivos investigar e apresentar de que forma o planejamento estratégico pessoal pode ser um aliado na constituição de um ambiente eficaz para o ensino-aprendizagem da língua inglesa.

Além disso, este artigo objetiva oferecer aos professores de língua inglesa uma ferramenta para que possam analisar e repensar sobre as ações eficazes de ensino-aprendizagem na sala de aula.

 

 

 

  1. Desenvolvimento

 

Dutra (2002) afirma que menos de 2% dos profissionais de nível superior possuem um projeto pessoal profissional adequado, focando o alcance de objetivos. Isso é fundamentado de forma clara na educação brasileira, principalmente nas faculdades, quando o estudante não possui a clareza do que pretende usufruir com o nível de ensino apresentado pelos docentes e não é orientado a planejar individualmente o futuro.

Nesse aspecto Dutra (2002), cita algo muito importante para aqueles que queiram saber o porquê do planejamento individual, dizendo que a pressão da sociedade para que as pessoas desenvolvam o planejamento pessoal se apresenta como:

  • Aumento na diversificação das oportunidades profissionais pela maior complexidade organizacional e tecnológica, da revisão das estruturas organizacionais e de diversificação de mercado de produtos e serviços;

  • Disseminação da ideia de que cada vez mais as pessoas são capazes de influenciar suas próprias carreiras;

  • Valorização social do contínuo crescimento, da mobilidade, da flexibilidade e da notoriedade.

 

Planejar a ascensão profissional, social e educacional pode parecer para alguns em um primeiro momento um exagero e para outros uma diretriz eficaz. Nisso, algumas pessoas podem acreditar que o destino por si só definirá os acontecimentos na vida, outros sabem da importância de “construir o destino” (FREIRE, 2005).

Nesse sentido, nasce o Planejamento Estratégico Pessoal (PEP), conhecido na Inglaterra como Planos de Desenvolvimento Pessoal (PDP) ou planos de ação que evoluíram a partir da prática em uma variedade de atividades apresentadas nas escolas e faculdades da Inglaterra durante os últimos quinze anos. A ideia central do planejamento estratégico pessoal, a ser usado na sala de aula, é um diálogo entre aluno e professor, visando identificar as escolhas, mediante metas, objetivos e planos de ações apropriadas a cada disciplina, além do desejo profissional do aluno. Isso deverá acontecer antes do início de cada curso ou semestre visando, neste caso, à eficácia do ensino-aprendizagem bem como a preparação para aspirações acadêmicas e profissionais (Department of Education and Science and Department of Employment, 2001).

Ferrel (2005) cita que o planejamento estratégico pessoal tem como base o planejamento estratégico organizacional usado de forma a tentar minimizar os riscos de investimentos em produtos ou serviços, tendo como critério básico a análise SWOT. Essa análise funciona como um modelo de direção empresarial ou estratégico pessoal, exercendo o papel de estruturar a adequação entre o que uma organização ou pessoa pode (forças) e não pode (fraquezas) fazer, e as condições ambientais que atuam a seu favor (oportunidades) e contra (ameaças).

De acordo com Department of Education and Science (1989) a eficácia do planejamento estratégico pessoal relacionado ao ensino-aprendizagem não pode ser considerada isoladamente no que diz respeito ao desenvolvimento de metas e objetivos para os alunos, mas a partir das realidades do local de estudo. É importante que os alunos sintam que o processo do PEP oferece uma abertura realista de sucesso no mercado de trabalho e na aprendizagem de uma nova língua. Com isso, cada vez mais, os alunos serão mais conscientes das suas próprias necessidades e potencialidades. O uso continuado do planejamento estratégico pessoal em escolas, faculdades e no local de trabalho irá apoiar os indivíduos em todos os níveis positivos de decisões, identificações, ascensão da carreira profissional e objetivos pessoais. Isso funciona como um trabalho em grupo em que todos lutam pelo mesmo objetivo.

O uso do PEP como ferramenta que visa maximizar o trabalho em grupo torna-se essencial para minimizar riscos de investimentos e ineficácia no ensino-aprendizagem, afastando alguns problemas do dia a dia em sala de aula, como falta de assiduidade, interesse, determinação e objetivo dos discentes. Concordando com essa ideia, NUNAN (1999, p. 84) afirma que “por meio do trabalho em grupo, os alunos desenvolvem suas habilidades de comunicação, mediante tarefas que exijam deles aproximar-se dos tipos de eventos que necessitarão para comunicar-se no mundo além do contexto de sala de aula”.

Em favor do uso do trabalho em grupo na aprendizagem de segunda língua, Long e Porter (1985), citam algumas diretrizes pedagógicas que:

 

  1. aumentam a quantidade das oportunidades de prática da língua;

  2. melhoram a qualidade da fala do aluno;

  3. há instrução mais individualizada;

  4. criam um clima mais positivo na sala de aula

  5. aumentam a motivação do aluno.

 

Segundo Livingstone (1983), às vezes no desenvolvimento de um trabalho em grupo acontecem alguns problemas de organização em relação a grande quantidade de alunos e de tempo em relação a técnica adotada para esse trabalho, como exemplo a dramatização a qual, incluindo sua preparação e apresentação, podem levar muitas horas-aula, ocasionando o atraso do conteúdo programático. Contudo, a autora menciona que o objetivo principal das aulas de língua estrangeira é o de promover e sustentar a interação linguística e tornar a sala de aula em um ambiente genuinamente comunicativo e, nesse caso, vale a pena “gastar” tempo em atividades como a dramatização para que os objetivos desenvolvidos no PEP sejam alcançados.

Brown (2001) cita que há algumas técnicas que podem ser utilizadas no trabalho em grupo para desenvolver de forma mais interessante as quatro habilidades necessárias para a aprendizagem de uma língua estrangeira como jogos, drama, projetos, entrevistas, dramatização, entre outras.

Para aqueles que almejam um desenvolvimento da habilidade comunicativa da língua inglesa com mais eficácia, a dramatização ou roleplay é um tipo de trabalho em grupo mais usado. Concordando com essa argumentação, Di Pietro (1987, p. 2) define o termo dramatização como “uma atividade de sala de aula que motiva os alunos a conversar propositalmente com os outros, fornecendo papéis de episódios baseados em situações da vida real, podendo recriar situações de vida social e fornecer aos nossos alunos as orientações necessárias para que tenham mais controle sobre o processo de aprendizagem.

Com o intuito de fundamentar o confronto do planejamento estratégico pessoal com a técnica de dramatização, Di Pietro (1987, p. 10) cita algo importante dessa ideia quando afirma que “a aprendizagem só acontece quando a mente interna pode ser ligada ao mundo externo” e é por meio de diálogos contextualizados que essa conexão é alcançada. Os alunos são colocados em situações em que a motivação desenvolvida, por meio das metas e objetivos do PEP, os leva a pensar na língua inglesa como desafio a ser alcançado mediante a comunicação eficaz do novo idioma com os outros colegas.

 

  1. Conclusão

 

Este artigo teve como objetivo buscar discutir conceitos do planejamento estratégico pessoal em confronto com outro tema relacionado ao ensino-aprendizagem da língua inglesa, visando à eficiência e eficácia do educador e educando na sala de aula. Foram apresentados alguns conceitos sobre a eficácia do planejamento estratégico pessoal juntamente com algumas técnicas de trabalho em grupo, principalmente relativos a dramatização, usadas em sala de aula. Contudo, apesar do planejamento estratégico pessoal juntamente com os trabalhos em grupo servirem de excelentes ferramentas para a eficácia do ensino-aprendizagem, deve-se analisar e exercitar a afirmação de Williams e Burden (1997, p. 73) “é crucial que os docentes estabeleçam em suas salas de aula um clima onde a confiança é construída, onde os erros possam ser feitos sem medo, onde os alunos possam usar a língua sem constrangimento, em que todas as contribuições são válidas e as atividades levam a sentimentos de sucesso”.

Essa preocupação com a satisfação dos alunos é fundamentada na citação de Drugg e Ortiz, (1994, p. 9): “uma organização atua com qualidade para atender aos interesses do cliente e, consequentemente, quem determina se existe ou não qualidade é o cliente e não a instituição de ensino. A ênfase está sempre no cliente e não no produto ou serviço”. Concordando com essa argumentação, porém usando estratégias de marketing, Ries e Trout (2002) afirmam que o posicionamento de um produto ou serviço não é o que você faz ou sente por eles, e sim o que você faz na mente de um cliente em potencial em relação à necessidade e desejo deles.

Por conseguinte, para que se tenha alguma eficácia no ensino da língua inglesa, mediante as ferramentas citadas no artigo, o professor deverá quebrar alguns paradigmas tradicionalistas de ensino-aprendizagem, adotando a prática da educação ativa, mediante o incentivo e orientação educacional, social e profissional dos alunos.

REFERÊNCIAS

BROWN, P. and LAUDER, H. (eds) Education for Economic Survival. London: Routledge, 1992.

 

 

BROWN, H. D. Teaching by principles: an interactive approach to language pedagogy. Second Edition. Longman, 2001.

 

 

Department of Education and Science (DES) (1989) Careers Education and Guidance. London: HMSO, 1989.

 

 

Department of Education and Science and Department of Employment (DES/DOE) Working Together for a Better Future. London: HMSO, 2001.

 

 

DI PIETRO, R. J. Strategic interaction: learning languages through scenarios. Cambridge University Press, 1987.

 

 

DRUGG, Kátia Issa; ORTIZ, Dayse Domene. O desafio da educação: a qualidade total. São Paulo: Makron, 1994.

 

 

DUTRA, J. S. Gestão de Pessoas. São Paulo: Atlas, 2002.

 

 

FERREL, O. C; HARTLINE, M. D. Estratégia de marketing. 3.ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005.

 

 

FREIRE, A. Paixão por Empreender. Como Colocar suas Idéias em Prática.Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

 

 

LIVINGSTONE, C. Role play in language learning. Longman Handbooks for Language Teachers. Longman, 1983.

 

 

LONG, M. H.; PORTER, P. A. Group work, interlanguage talk, and second language acquisition. TESOL Quarterly, v.19, n. 2, 1985.

 

 

NUNAN, D. Second language teaching and learning. Heinle & Heinle Publishers, 1999.

 

 

RICHTER, M. G. Roleplay e o ensino interativo de língua materna. Linguagem & Ensino, v.1, n.2, 1998.

 

 

RIES, A.; TROUT, J. Posicionamento: a batalha por sua mente. São Paulo: Makron Books, 2002.

 

WILLIAMS, M. & BURDEN, R. L. Psychology for language teachers: a social

constructivist approach. Cambridge University Press, 1997.

 

 

ZUBOFF, S. In the Age of the Smart Machine. The Future of Work and Power. London: Heinemann, 1988.

 

Última atualização em 18/08/2011

 

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