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A Emoção Virtual

RESUMO: Neste artigo faço uma reflexão sobre a emoção virtual a partir de dois e-mails recebidos de duas leitoras que ao lerem os textos que estão no portal Conteúdo Escola não se contiveram e escreveram-me tecendo comentários a partir da emoção que sentiram.
São dois momentos diferentes, uma estava passando a sua vida a limpo e a outra percebeu que os sentimentos dela são compartilhados por outros professores.


PALAVRAS-CHAVE: emoção, professora, virtual.

Em março e abril de 2005 recebi dois e-mails que me marcaram profundamente e que agora vou retomá-los para que possamos discutir a emoção nos ambientes presenciais ou virtuais.

Primeiramente vejamos o e-mail da leitora A de março de 2005. Ela leu o texto escrito por mim cujo título é: ESCUTAR A SI PRÓPRIO.  

Olá...acabo de ler seu texto e quero parabenizá-lo pelas palavras. Vi minha imagem refletida em muitas dessas situações que você destacou e sinto o peso dessa frase em minha alma: "vemos guerra, ódio, indiferença, desamor, inquietude que aprisiona, medo, medo de nos sentirmos sós, sós com nossos sofrimentos." Sofrimentos esses que estou aprendendo a lidar, conhecendo e tentando resolver.
Não tive respostas prontas onde procurei, soluções e sossego para todas as dúvidas     que vejo em minha mente... mas no seu texto encontrei algo mágico que muito me     ajudou. Muito obrigada!


Quantas vezes já ouvi as pessoas falarem que o ensino virtual é desprovido de emoção e por isso não deveria ser utilizado.

Será que os ambientes virtuais não permitem que haja interação entre as pessoas? Será que na formação da rede não há ações que demonstram que há cuidado entre as pessoas envolvidas nesse processo.

Será que a leitora A já estava imersa numa profunda emoção ao chegar em nosso portal e ler o artigo que lá estava disponível? Muitos podem dizer que ela já estava predisposta a vivenciar emoções porque estava inquieta, estava passando a limpo a sua vida.

Certamente ela já carregava uma série de situações que fazem parte da ontogênese dela, ou seja, da história dela enquanto ser vivo.

A partir do que leu, ela descobriu dentro dela algo para aliviar o seu sofrimento, algo que pudesse servir para refletir o seu dia-a-dia. Foram emoções e ações de dentro para fora (Maturana, 1997).

Somos produtos e produtores das situações que nos acompanham diariamente, pois somos parte da sociedade e também pertencemos ao todo da civilização humana. 

Temos "forças virgens" que muitas vezes nos fazem chegar aonde pensávamos não mais podermos. É a resiliência que toca profundamente, ou ainda, como diria Torre (2003) é a criatividade paradoxal.  Aquela que aparece em carência e não em potência, mas que não é menos importante que a outra.

A leitora A estava à procura de algo que pudesse aliviar a alma e o corpo dela e não encontrava. Será que ela não encontrou pessoas? Ou será que as pessoas disseram apenas o todo mundo fala. Ficaram nas receitas, nas palavras "professorais" tentando demonstrar o que está certo ou errado.

A magia brotou da interação dela com o texto. Ela conseguiu perceber a importância do acolhimento. O texto está imerso no amor, sendo essa é a emoção reivindicada como fundadora de nossa espécie por Maturana (1997).



Na realidade a magia ocorreu dentro da leitora A. As palavras foram mediadoras de um processo de amorosidade. Processo esse que deve permear a nossa vida, como seres humanos, em todas as atividades que fazemos. E muito mais importante, ainda, quando crianças e jovens estão em formação.

A escola deve estar inundada de amorosidade como defendem Torre; Moraes (2004). Os ambientes de aprendizagem devem ser potencializadores de aprendizagem e não restritores de aprendizagem. Não é o medo que tem de se fazer presente, mas o amor, o afeto, a ternura, a aceitação.

Evidente que não se pode ficar apenas com o exagero, pois esse se dilui rapidamente, evanesce como a fumaça. 

Podemos ter como baliza o pensamento de Searle (2000, p.147): "Rigor sem sensibilidade é vazio, sensibilidade sem rigor é insignificante".

Em um ambiente virtual também há emoção. Há falas, há a falta delas, há momentos de inquietação, de desordem seguidos de ordem, há aplausos, há momentos de dúvida e de concordância. Em todos esses momentos a emoção está presente, pois levam a ações das mais diversas formas (MATURANA, 1997).

Em relação às emoções Maturana (2005, p.12) afirma:

"La emoción nunca es virtual porque uno vive lo que ve como lo ve. No basta com     que uno diga 'solo es una película'. No, uno vive la agresión, el miedo, el enojo,     participando em el acto agresivo de enojo o de miedo como legitimo para su vivir a     menos que, como acabo de decir, lo rechace de manera  explicita."


Ele deixa claro que em qualquer situação de nossas vidas a emoção está presente. A partir desse pensamento podemos dizer, então, que a emoção se faz presente tanto em ambientes presenciais quanto em ambientes virtuais.

A situação da leitora A não ocorreu em um curso formal, mas ela conseguiu achar o apoio, para tentar superar suas dificuldades, em um texto que faz parte de um portal de educação.

Nos momentos em que surge uma rede de interações e releituras dos textos ali depositados podemos perceber que há uma fusão de emoções, pois diariamente são muitas as pessoas que lêem os mais diversos textos de nosso portal.

A leitora A ao fazer parte da rede deixou a sua contribuição de corpo inteiro, não foi apenas um ato cognitivo. Ela deixou-se emocionar por inteiro.

Em outro momento a leitora B enviou-me um e-mail em 04 de abril de 2005.  Após ter lido o texto OBSTÁCULOS EDUCACIONAIS.

(...) Concordo plenamente com o que foi escrito. Sou professora há 26 anos e em     muitos anos e muitos anos é o que sempre esperei ler com relação ao que nos     impede de sermos ou formarmos cidadãos verdadeiros, conscientes e sem esta     miséria, esta descrença na educação.
(...) sendo que o que me mantém na profissão é gostar de ensinar e não apenas de     dar aulas (...)


A leitora B é professora e demonstra toda a sua angústia, a sua inquietude do corpo e da alma, mas finalmente ela encontrou algo que fosse sinérgico com as situações vividas por ela.

Ela demonstra que muitas vezes os professores são colocados como culpados da situação em que se encontra a educação pública no Brasil, embora no ensino privado também aconteçam situações semelhantes.

Mas o que mais marcou a leitora B foi o fato de coincidir o que ela sempre buscou, com o que estava escrito. Houve uma fusão de idéias e pensamentos. Ficou demonstrado que tem de haver cuidado com a escola, com os professores e com alunos. Demo (2004) colabora com essa idéia em seu livro: "Ser professor é cuidar  que o aluno aprenda".



Os professores têm de sair da condição de réus e serem tratados como profissionais da aprendizagem. Porém não basta admitir isso apenas com a "caneta", os professores têm de ter recursos e estruturas para poderem trabalhar com os alunos diariamente.

A leitora B não se conteve e escreveu para mim, pois estava emocionada. Estava fazendo parte da rede de pessoas que acompanham as contribuições do portal de educação Conteúdo Escola.

Ela teve a oportunidade de se manifestar, de contar como estava se sentindo, de perceber que as suas inquietações são compartilhadas por outras pessoas. E que essas também querem uma escola melhor.

O fato dela se deixar envolver pelo texto e depois se manifestar por meio de um e–mail demonstra claramente como a emoção também ocorre em ambientes virtuais.   

Outro fato que tem de ser valorizado é que a leitora B entende que a aprendizagem não ocorre apenas na sala de aula, mas em diferentes ambientes e com a vida. Ela afirma que gosta de ensinar e não só dar aulas. Essa fala já está repleta de emoção e a acompanhará em um ambiente presencial ou virtual.

CONCLUSÃO

Não pretendi entrar na polêmica do virtual e do presencial. Apenas quis demonstrar que a emoção nos acompanha diariamente e que ela está ligada visceralmente ao nosso existir independente de onde nos encontremos.

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Duglas Wekerlin Filho é professor da Universidade São Francisco, mestre em mídia e conhecimento, doutorando em educação pela PUC-SP. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DEMO, Pedro. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. Porto Alegre: mediação, 2004.

MATURANA, Humberto. Antologia da realidade. Belo Horizonte: UFMG, 1997.

MATURANA, Humberto; Vignolo, Carlos. Conversando sobre educacion. Disponível em: <http://supervision.mineduc.cl/1622/articles-96934_documento>. Acesso em: 25 abr.2005.

SEARLE, John. Mente, linguagem e sociedade: filosofia no mundo real. Tradução de F. Rangel. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.

TORRE, Saturnino de la; MORAES, Maria Cândida. Sentipensar: fundamentos e estratégias para reencantar a educação. Petrópolis: Vozes, 2004.

TORRE, Saturnino. Dialogando com la creatividad: de la identificación a la creatividad paradójica. Barcelona: Octaedro, 2003.

Última atualização em 04/07/2011

 

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