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Temos visto situações que nos marcam profundamente, embora não aconteçam próximas a nós, como é caso da Rússia em que morreram crianças, adolescentes, pais e professores, em setembro de 2004. Foram mortos por um grupo que reivindica a independência da Chechenia...
Aconteceram cenas que ficarão marcadas em nossas retinas, como a de um menino de 14 anos que estava desesperado por ver a sua irmãzinha de 6 anos cheia de furos por onde saía sangue. Esse menino levará para toda a sua vida, na memória, a cena brutal de ver sua irmã ser morta.

O que mais vemos hoje é a agressividade, as brigas, os confrontos, as mutilações do corpo e da alma.

Nós não podemos reforçar a violência que vem de fora, essa violência tem de ser diminuída, tem de perder a força, tem de ser diluída com o afeto, com a ternura, com a emoção.

Muitas vezes reagimos de forma violenta quando alguém tem uma atitude que nos parece obvia. À vezes as pessoas não conseguem ver o óbvio, quer seja por ignorância, quer seja por defesa, quer seja por revolta de algo que não está bem. Esses momentos geram ambientes restritivos para a aprendizagem diária, aquela que nos diferenciam de outros animais.

Muitas vezes agimos como animais que se sentem acuados, com medo.  Temos de viver nesse mundo, mas temos de nos salvar de nós mesmos primeiramente.

O poeta disse: Quando estamos com raiva, temos o direito de estarmos raiva, porém não podemos ser cruéis. Às vezes somos cruéis com nos mesmos, temos de pedir perdão para nós mesmos.

Quem sabe não tenhamos tempo para pensar nos avanços extraordinários da ciência: há células-tronco; há transplantes, a AIDS já se tornou uma doença crônica, já não é mais  uma sentença de morte. Porém de outro lado vemos a estupidez de pessoas se matando por motivos absurdos.

Há uma inquietação do ser humano e da sua alma.

As pessoas têm de perceber esse movimento contraditório que está presente no séc XXI, ou seja, o aumento da longevidade das pessoas e ao mesmo tempo, a ruptura da vida por motivos banais.

Morin (2000) vislumbra uma alternativa para o ser humano, que é a religação dos saberes, a religação do homem com natureza, a religação do homem com ele mesmo.  Morin propõe que a complexidade seja uma forma de enfrentar toda essa agressividade que se faz presente no mundo.

Vemos a violência física tomar conta em vários cenários mundiais, vê-se também a violência que não se mostra claramente,  a violência que se faz e refaz diariamente de forma oculta, a violência de fundo na vida das pessoas.

Para que um ambiente seja saudável temos de dar oportunidade para que haja a emergência de situações humanizantes. E para isso ocorrer temos de perceber que a violência surge primeiro, em nossos corações, em nossos corpos. É uma raiva que surge de dentro para fora. São ações e emoções que nos guiam todos os dias, por isso temos de ter cuidado com o nosso corpo e com a nossa alma. Eles têm de viver juntos e se completarem, mas é um completar provisório, pois todos os dias somos pessoas diferentes .

Estamos vivendo numa era de transformações em que o ser humano está tentando se redescobrir como um ser pertencente à pátria-mãe, a Terra, e que devemos mudar o nosso modo de viver ou seremos fatalmente engolidos pela  rapidez das mudanças. Necessitamos de ser seres "naturais e não normais".

Para podermos viver sem nos agredirmos, temos de ficar com os bons momentos, temos de ser um misto de artista e de aprendiz. O primeiro passo para não sofrer é aceitar o outro como legítimo. Mesmo vivendo num sistema em que o poder e o medo permeiam nossas ações.

Estamos no "olho do furacão". Temos visto atentados contra a vida. Fala-se de ética apenas para alguns. Boff (2000) propõe um consenso mínimo entre os humanos, para que todos caibam, para que as diferenças possam ser mostradas e admiradas.

Se para a natureza a diversidade é riqueza, por que para o ser humano é pobreza?

Nossos trabalhos podem se tornar rotina, café requentado, mel na borda da taça de vinagre, ou como dizem muitos, tudo é uma questão de perfumaria.

Temos de ter claro que todo poder reivindica privilégios, em qualquer situação da vida diária. Não se admite intromissão. País pobre tem de continuar pobre. Contra esse tipo de situação Freire (2000) demonstra toda a sua indignação e afirma que somos seres condicionados e não determinados .

Vivemos na incompletude, jamais chegaremos à completude, pois somos seres que pensam, que têm sonhos, que têm utopias, sendo que essas não são irrealizáveis, mas irrealizadas, por isso sempre serão atuais.

A aceitação do outro tem de contribuir para que nesse cenário surja o amor onde há o desprezo, a alegria onde a há tristeza, o acolhimento onde há a intolerância.

Nossas vidas não são situações repetitivas, pois temos de voltar à nossa história como espécie (filogenia) que tem marcas profundas, que nos fazem sentir amor, afeto, ternura, porém a nossa história individual (ontogenia) contradiz, muitas vezes, as marcas da nossa história como seres humanos. Vemos guerra, ódio, indiferença, desamor, inquietude que aprisiona, medo, medo de nos sentirmos sós, sós com nossos sofrimentos.

Nós temos de buscar a paz, em qualquer lugar que estejamos, não podemos obrigar as pessoas valorizarem aquilo que eu valorizo, se assim fosse nenhum artista venderia a sua obra, pois fazemos releituras do que nos é posto.

Temos de saber trabalhar com a com a "maldade das pessoas", se reagirmos como elas querem nos enfraquecemos, temos de ter a nosso favor a surpresa. Ao invés de gritar e de brigar, quem sabe o silêncio possa ser muito pior do que o grito.

Acabo com as palavras sábias de SARTRE:

"O importante não é o que fazem do homem, mas o que ele faz, do que fizeram dele".

Em outras palavras, temos de ter cuidado com o nosso corpo e com a nossa alma, mas para  isso temos de ouvir a nós mesmos.

*Duglas Wekerlin Filho é professor da Universidade São Francisco – Bragança Paulista, mestre em mídia e conhecimento e doutorando em educação da PUC-SP. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

REFERÊNCIAS

BOFF, Leonardo. Ecologia: grito da terra, grito dos pobres. 3.ed. São Paulo: Ática, 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação. São Paulo: UNESP, 2000.

MORIN, Edgar. A inteligência da complexidade. São Paulo: Peirópolis, 2000.

Última atualização em 01/07/2011

 

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