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A Complexidade e a Condição Humana


Artigo de estréia da coluna de Duglas Wekerlin Filho no Conteúdoescola. Duglas é professor da Universidade São Francisco – Bragança Paulista, mestre em mídia e conhecimento e doutorando em educação da PUC-SP.

Temos visto diariamente cenas que nos tocam profundamente, pessoas passando fome, não tendo onde morar, crianças cheirando cola, adolescentes tendo como companhia as drogas. Seres humanos que estão sós, sós com seus sofrimentos, não vêem saída para os seus problemas e acabam perdendo a dignidade como seres humanos, refugiam-se em doenças psicossomáticas.


Percebemos que desqualificar o ser humano é muito mais fácil, transferir a culpa para quem está passando por problemas é mais confortável. Fala-se muito em sermos tolerantes com o outro, sendo que no fundo toda tolerância traz consigo a negação do outro, o necessário é aceitar o outro, mas para isso temos de ter o amor como emoção fundadora (MATURANA, 1998).

A desqualificação do ser humano tem aumentado a sua abrangência por estarmos vivendo na era intensiva de conhecimento (DEMO, 2004), sendo que esse é um fator diferencial e poucos têm acesso a uma formação humana de qualidade.

As políticas públicas são inoperantes e cínicas ao tratarem pessoas desiguais de modo igual, afirmando que só depende das pessoas a busca de qualificação. No entanto, o que temos visto é que pobre tem escola pobre (DEMO, 2003), ou ainda, como diria Paulo Freire, "pior que aluno sem escola é aluno nesta escola".

Esse processo de desqualificação do ser humano não está somente na escola, está na sociedade de modo geral.

Nesse contexto surge a teoria da complexidade que contempla os seres humanos, os seres vivos e sua casa, o planeta Terra, e as relações que há nesse ecossistema, implicando em processos reconstrutivos, indicando que eles não são reprodutivos ou replicativos, pois em função dos processos de auto-organização, um sistema complexo jamais se repete, mas se reconstrói, em função de suas relações com o meio (MORAES, 2003).

Nossas vidas, portanto, não são situações repetitivas, pois a ontogênese de cada ser humano é diferente, apesar de sermos igualados filogeneticamente como espécie (MATURANA, 2004).

A complexidade aceita as emoções como algo natural nos seres humanos, por isso sustenta que essas devem ser manifestadas e aceitas, e não deixadas ocultas ou prisioneiras em corpos que se defendem delas.
O diálogo do cacique Marcos Terena com Edgar Morin (2002) serve de exemplo para a nossa reflexão:

O criador fez uma coisa maravilhosa, que é podermos olhar a lua nascer. Sabemos que o homem branco decifrou este código e no calendário está escrito: dia tal lua nova, lua crescente, lua cheia. Mas o criador não permitiu que descobríssemos quando vamos morrer. E a morte faz parte vida. Este criador deu aos índios o entendimento para descobrir isso e preparar a qualidade de vida.

O diálogo anterior demonstra a importância da emoção na vida dos índios e como eles conseguem aceitá-la e transformá-la em qualidade de vida. Cognição e emoção são parceiras não inimigas e nós precisamos compreender e aceitar essa situação.
Em outro momento com índios vê-se a importância do ser humano deixar que as suas emoções fluam.

Uma lenda indígena conta que as pessoas sentem tudo com as solas dos pés, porém o homem passou a usar sapatos e perdeu essa sensibilidade. É importante que nos seja permitido andar "descalços", deixando-nos sentir verdadeiramente a vida, propiciando o aprendizado na natureza, com a natureza, com o coração, com o amor, com o outro, com o nosso planeta. Andar descalço, porém, faz com que surjam cortes na pele, que saia sangue, que apareçam bolhas, entretanto isso tudo encoraja, faz ver o que era invisível, faz sentir o cheiro nunca antes sentido, faz ouvir o inaudível, faz sentir na mão o que se tinha medo, faz surgir o amor nas coisas em que ele antes estava escondido.

Na lenda anterior há emergências de situações que são vistas nos processos complexos que fazem parte da vida no nosso planeta. Vemos que o entendimento da complexidade é uma possibilidade para que o ser humano possa se reconstruir como um ser pertencente à pátria-mãe (A TERRA), em que todos cabem, em que todos têm importância, em que há a emergência de situações humanizantes e que podem aliviar os corações oprimidos, dando chance para que nós possamos voltar a ser seres humanos naturais.

Estamos vivendo na era do caos, na qual o efeito borboleta é algo marcante. Oxalá, as batidas das asas das borboletas que vivem em ambientes saudáveis possam provocar uma avalanche de amor e paz, e que esses atinjam os seres humanos que estejam nos pontos mais longínquos da pátria-mãe.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DEMO, Pedro. A pobreza da pobreza. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2003.
DEMO, Pedro. Sociologia da educação. Brasília: Plano, 2004.
MORAES, Maria C. Educar na biologia do amor e da solidariedade. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2003.
MATURANA, Humberto. Emoções e linguagem na educação e na política. Belo Horizonte: UFMG, 1998
MORIN, Edgar. Saberes globais e saberes locais: o olhar transdisciplinar. Rio de Janeiro: Garamond, 2000.

Duglas Wekerlin Filho é professor da Universidade São Francisco – Bragança Paulista, mestre em mídia e conhecimento e doutorando em educação da PUC-SP. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Última atualização em 20/04/2011

 

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